A manhã na escola não foi boa à altura da espectativa de Endes. Havia alguns grupinhos já formados e alguns alunos não tinham nenhum conhecido, como é o caso dela. Os grupinhos conversavam, davam risadas, fofocavam enquanto aqueles mais afastados apenas observavam tudo e a todos com um olhar desajeitado. A professora então nem se fala. Fez perguntas a manhã inteira, queria saber um pouco de todo mundo e um mundo de poucos, incluindo Endes neste último. Sem jeito para responder a tantas perguntas, Endes só falava “sim” e “não”, de vez em quando soltava “é”.
Na volta para casa, Endes, com a sua mochila nas costas e andando de cabeça meio baixa, caminhava pensativa e angustiada por não ter feito nenhuma amizade. Ela até chegou a pensar em convidar Viqui para estudar na mesma escola, mas ele é um ano mais novo. Acima de tudo, Endes tinha esperanças que o segundo dia tudo melhoraria.
Ao chegar em casa, ela é abordada pela empregada.
Dona Judite é uma verdadeira mãe para Endes. Uma simpática negra de 60 anos de idade que já completa 13 anos de serviço na casa da família Campos:
- Endes, sua mãe pediu para você ligar para ela assim que você chegar.
- Tá bom, Dite, obrigada. – disse ela meio tristonha.
- Ah.. Já ia me esquecendo. O Viqui veio atrás de você. Eu disse a ele que você estava na escola.
- O Viqui? Ele já chegou da praia? – um sorriso aparece em seu rosto como se ela não tivesse vivido aquela manhã.
- Obrigada, Dite. – agradece ela já correndo para o telefone.
Endes fica em um estado eufórico e corre ligar para a casa de Viqui (ou melhor, para a casa ao lado), com a mochila nas costas e tudo. Os dois ficam cerca de dez minutos no telefone, até que Viqui se toca e chama ela para ir sentar na calçada. Ela joga a mochila em cima da cama, fazendo-a pular justo para cima do criado-mudo com o abajour da bailarina, que cai e quebra um dos pés. Endes nem se incomoda, corre para a calçada sem almoçar e nem mesmo se quer ligar para a sua mãe.
Depois de um abraço contido (crianças, hehehe) eles sentam para conversar. Logo se vê que ficarão ali por horas. A euforia dos dois é tamanha, que eles nem sabem por onde começar as novidades e histórias dos 15 dias que passaram separados.
Final de Flávio Nascimento.
Na volta para casa, Endes, com a sua mochila nas costas e andando de cabeça meio baixa, caminhava pensativa e angustiada por não ter feito nenhuma amizade. Ela até chegou a pensar em convidar Viqui para estudar na mesma escola, mas ele é um ano mais novo. Acima de tudo, Endes tinha esperanças que o segundo dia tudo melhoraria.
Ao chegar em casa, ela é abordada pela empregada.
Dona Judite é uma verdadeira mãe para Endes. Uma simpática negra de 60 anos de idade que já completa 13 anos de serviço na casa da família Campos:
- Endes, sua mãe pediu para você ligar para ela assim que você chegar.
- Tá bom, Dite, obrigada. – disse ela meio tristonha.
- Ah.. Já ia me esquecendo. O Viqui veio atrás de você. Eu disse a ele que você estava na escola.
- O Viqui? Ele já chegou da praia? – um sorriso aparece em seu rosto como se ela não tivesse vivido aquela manhã.
- Obrigada, Dite. – agradece ela já correndo para o telefone.
Endes fica em um estado eufórico e corre ligar para a casa de Viqui (ou melhor, para a casa ao lado), com a mochila nas costas e tudo. Os dois ficam cerca de dez minutos no telefone, até que Viqui se toca e chama ela para ir sentar na calçada. Ela joga a mochila em cima da cama, fazendo-a pular justo para cima do criado-mudo com o abajour da bailarina, que cai e quebra um dos pés. Endes nem se incomoda, corre para a calçada sem almoçar e nem mesmo se quer ligar para a sua mãe.
Depois de um abraço contido (crianças, hehehe) eles sentam para conversar. Logo se vê que ficarão ali por horas. A euforia dos dois é tamanha, que eles nem sabem por onde começar as novidades e histórias dos 15 dias que passaram separados.
Final de Flávio Nascimento.
Viqui logo perguta sobre o tão esperado primeiro dia de aula. Endes não havia gostado, não falou com ninguém. Quer dizer, só com a Renata, mas essa não a queria por perto.
- Ah, que chato isso, Endes. Liga não. Você consegue amigos melhores. Deve ser uma riquinha chata.
- É, uma "chatonilda". (Os dois começam a gargalhar). Mas me conta. Como foi na praia?
Na praia, Vinícius havia conhecido uns amigos de seu pai. Saíram pra pescar. Ele havia realmente se divertido. Foi uma viagem perfeita. Além de tudo, o menino adorava o mar e só o fato de estar na praia já lhe deixava contente.
Os amigos conversam por um longo tempo até que Viqui se levanta rapidamente e diz algo no ouvido da sua amiga. Ela parece aprovar a idéia, mas já precisa voltar pra casa, afinal, ainda não havia almoçado.
No outro dia, Endes acorda cedo, pega uma caixinha e coloca na sua bolsa. Desce para tomar café e depois se despede de Judite. Sua mãe a interrompe:
- Mocinha, você ligou pra mim ontem? A Judite te avisou que eu sei.
- Ai, mãe. Eu esqueci. É porque Viqui voltou da praia e...
- Você deveria ter ligado. Fui jantar fora com seu pai, se você me ligasse teria ido também.
- Vocês foram no...
- Mestre das Massas. Isso mesmo. – completa Wendy.
- Droga! Perdi. – já com água na boca e com um tom de arrependimento.
Seguiram para a escola sem que a menina desse uma palavra, estava triste.
Chegando lá, Wendy leva a filha a sua sala e se despede com um abraço bem apertado. Endes entra na sala e olha para o canto. O grupinho estava lá, e ela tinha um plano.
Endes e Viqui são especialistas em planos mirabolantes, não é de se estranhar que Endes tenha pensado em mais um deles.
Na hora do intervalo Endes deixou que todos saíssem e pegou a caixinha cheia de minhocas na sua bolsa e colocou dentro dos cadernos das "chatonildas". Depois de uma risada, ela devolveu guarda a arma do crime em sua bolsa, e sai alegre para o recreio.
Endes e Viqui são especialistas em planos mirabolantes, não é de se estranhar que Endes tenha pensado em mais um deles.
Na hora do intervalo Endes deixou que todos saíssem e pegou a caixinha cheia de minhocas na sua bolsa e colocou dentro dos cadernos das "chatonildas". Depois de uma risada, ela devolveu guarda a arma do crime em sua bolsa, e sai alegre para o recreio.

2 comentários:
- E aí, Viqui, como foram as férias?
- Foram boas, mas eu já tava querendo voltar. Já perdi um dia de aula e quero ver como vai ser esse ano. E você, já começaram suas aulas?
A menina fez uma cara feia, segurando o queixo com as duas mãos:
- Nem me fale. Começaram hoje e eu não gostei nem um pouco. Não consegui fazer nenhum amigo e acho que não vou conseguir.
- Que nada, Endes, não liga. Depois as coisas mudam e todo mundo vai gostar de você igual eu gosto.
O rosto de Endes iluminou-se com as palavras de Viqui. Nem parecia que eles se conheciam há tão pouco tempo.
Endes havia se mudado para aquele edifício de apartamentos em função da transferência do pai para aquela cidade, executivo de uma empresa com várias filiais pelo país. Deixara tudo para trás: amigos e escola, preocupando os pais com a postura de rejeição quanto à nova cidade. Deixava claro que estava odiando ter que se mudar para um lugar onde não conhecia ninguém. Tinha emagrecido e passava quase o tempo todo quieta em seu quarto, arrumando as caixas da mudança.
Para alívio dos pais da menina, logo que chegou à nova casa conhecera Viqui, com quem fizera amizade rapidamente. Logo passou a frequentar a casa do menino, e recebê-lo na sua. Os pais de Endes aprovaram a amizade, ainda mais se tratando de uma criança tão educada quanto Viqui. Logo fizeram amizade com os pais do garoto, ainda sem muita intimidade. Tudo isso ocorrera em pouco mais de três meses.
A conversa ia animada, quando Judite chamou Endes.
- Minha filha, sua mãe está no telefone lhe esperando. Você não ligou pra ela, não?
- Eita, Dite, foi mal, eu esqueci - Endes levantava num pulo. Virou-se para Viqui.
- Vamos na minha casa? Você já almoçou?
- Não vai dar, Endes. Tenho que sair com minha mãe pra comprar o material da escola. Ela já deve tá uma fera comigo.
- Ah! que pena. Então vamos subir.
E os dois voltaram correndo para o pequeno prédio de apartamentos.
Ixi, foi mal.... não tinha lido a história dos personagens antes de escrever.
Será que posso tentar de novo?
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